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CLUBE UNIÃO MICAELENSE

A PRIMEIRA GRANDE VITÓRIA

Na época de 1961/1962, o Clube União Micaelense conquistava o titulo máximo dos Açores e da Madeira: representante insular à Taça de Portugal, a maior glória  de sempre. A valorosa turma, arrebatou multidões, durante jogos sucessivos. Sobre a deslocação à cidade de Guimarães, onde o União Micaelense se estrearia na Taça de Portugal, o então Governador do Distrito de Ponta Delgada, Engº  Vasconcelos Raposo, afirmava, na altura: “ a ida dos briosos atletas do Clube União Micaelense, dos seus dirigentes e demais elementos que constituem a caravana Micaelense à histórica  bela cidade, é, para além de jornada desportiva, verdadeira romagem ao multi-secular berço da nacionalidade”. Também o Dr Jorge Gamboa de Vasconcelos, antigo jogador do Clube União Micaelense, se manifestou perante tão grande feito do nosso clube: “ O I triunfo do Clube União Micaelense, na disputa do honroso lugar de representante das ilhas adjacentes à Taça de Portugal, encheu de júbilo não só os habituais  entusiastas do futebol, mas toda a população da Ilha de S. Miguel. O Clube União Micaelense, ao conseguir o titulo de campeão, chamou a si a responsabilidade de honrar as ilhas em plano nacional”. Por seu turno, Horácio Borges, antigo praticante do nosso clube, e na circunstancia Presidente da Associação de Futebol de Ponta Delgada, diria, na altura: “ este facto reveste-se de extraordinária importância não só por projectar o nome da nossa terra no mundo desportivo Português, mas também porque traduz de forma evidente, o progresso alcançado pelo futebol Micaelense, que é fruto de um trabalho persistente, em profundidade realizado por todos os que devotadamente se dedicam à causa”. A época 1961/192, foi, realmente, uma das maiores glórias alcançadas pelo nosso Clube. Recordemos esses resultados, que guindaram o Clube União Micaelense, aos píncaros da fama do futebol Insular:

No torneio de Classificação Distrital

Jogo realizado em 26 de Janeiro de 1962: Clube União Micaelense ; 3 – Clube União Sportiva; 0

Em 28 de Janeiro: Clube União Micaelense ; 3 – Clube União Sportiva; 0

Em 18 de Fevereiro: Clube União Micaelense ; 2 – Clube Desportivo Santa Clara; 2

Em 25 Fevereiro: Clube União Micaelense ; 1 – Clube Desportivo Santa Clara; 0

No torneio de classificação dos Açores

Em 18 Março de 1962: Clube União Micaelense ; 4 – Angústias Atlético Clube; 1

Em 20 Março: Clube União Micaelense; 2 – Sport Clube Lusitânia; 2

E finalmente, na eliminatória Açores – Madeira

Em 6 de Abril: Clube União Micaelense; 2 – Clube Sport Marítimo; 0

Em 8 de Abril: Clube União Micaelense; 1 - Clube Sport Marítimo; 2

Era presidente da direcção, nessa gloriosa época, o Sr. Eng. António Clemente Pereira da Costa Santos, hoje membro do executivo Açoriano, como titular da secretaria do Comércio e Industria. Nessa altura, quadras de um poeta que assinava com o pseudónimo “ALÁ”, correram céleres entre os unionistas:

Clube União Micaelense

Jogar bem é o teu fado.

Merece quem tanto vence

Um beijo repenicado.

 

Se eu fosse uma rapariga,

de beijos dava um cento.

C’os meus beijos tu farias

Quatro golos, num momento.

 

ALÁ

Recordo, agora a embaixada micaelense à cidade de Guimarães, berço da nacionalidade, como representante máximo do futebol dos Açores e da Madeira:

Dirigentes Edgardo Nicolau Rodrigues Secretário Geral da Associação de Futebol de Ponta Delgada
  Edmundo da Silva Melo Tesoureiro da Associação de Futebol de Ponta Delgada
  Daniel Raposo de Sousa Vogal da Associação de Futebol de Ponta Delgada
  Eng. António Clemente Pereira da Costa Santos Presidente da Direcção do Clube União Micaelense
  Helder Martins Costa Secretário Geral da Direcção do Clube União Micaelense
Treinador Henrique BEN DAVID  
Jogadores João Maciel Guarda redes
  Tibério A. M. Ribeiro Guarda redes
  João M. R. Carroça Defesa Direito
  José T. Amorim Defesa Esquerdo
  João M. Arruda (Marroco) Médio Centro
  Rui S. Martins Defesa Central
  Fernando C. Raposo (Baganha) Médio Esquerdo
  Miguel C. Dias Extremo Direito
  Manuel V. Félix Avançado Centro
  José da Silva Interior Esquerdo
  D. A. Santos Pereira Extremo Esquerdo
  Manuel Luís da M. J. Costa  
  Octávio M. F. Pacheco  
  Eugénio R. Oliveira  

E que dizer , minha senhoras e meus senhores, das vitórias sucessivas no torneio dos Campeões Açorianos? E dos jogos realizados na Terceira e no faial, que arrastavam multidões aos então incipientes campos de futebol? Recordo, com tanta saudade, meu Deus, esses tempos. Especialmente os gloriosos tempos em que o Clube União Micaelense viajava para ilhas do Oeste na nossa urbana marítima “ o navio Ponta Delgada “. Encontrava-me, neste dealbar da década de 60, no seminário Episcopal de Angra do Heroísmo. E era ver os seminaristas micaelenses, chamados pela população terceirense de “ melros negros”, agitarem batinas, romeiras e chapéus, de pontos elevados do Monte brasil, saudando o Clube União Micaelense que entrava na baía de Angra. Aos nossos gestos exuberantes de saudação, respondiam jogadores e passageiros, quiça adivinhando que naquele Monte Brasil, ali estavam seminaristas micaelenses, apoiantes da equipa. Mais tarde, já no liceu nacional de Ponta Delgada, constatava que era a juventude estudantil um dos maiores apoios da equipa do União Micaelense.

Corria até, não só em S. Miguel mas também nas restantes ilhas, que o União Micaelense era o clube dos estudantes. Como vão longe esses tempos de tardes gloriosas, cheias de fervor apoiante a uma das melhores turmas açorianas de todos os tempos, de que é exemplo uma famosa viagem ao Faial

 

 

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