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CLUBE UNIÃO MICAELENSE

E EU? (Jorge do Nascimento Cabral)

Filho de um fervoroso entusiasta, que foi vice-presidente da Direcção chefiada por António Rui, e sobrinho de um jogador do nosso clube, não pude nem quis fugir à regra: ser jogador do Clube União Micaelense. Durante cerca de 2 anos, fui guarda redes da equipa júnior de hóquei, trinada por esse homem que possui um grande coração: O DURVAL. Com treinos intensivos no velho estádio Margarida Cabral, à saída das aulas, equipado com os pesados acessórios de guarda–redes, dei o meu contributo ao clube. Recordo com emoção, peripécias  desses tempos: quando ganhávamos, íamos para a cervejaria Melo Abreu comer um prego e uma laranjada. Quando perdíamos diziam-nos apenas “até amanhã se Deus quiser”. Joguei cerca de dois anos, sem praticamente minha mãe saber, e é claro, com a cumplicidade do meu pai. Com que respeito eu ia, menino, moço e adolescente, buscar a abandeira das fitas, ao Clube, para ser passada a ferro e para ir linda e limpa, orgulhosamente empunhada e agitada pela brisa da tarde, na procissões do Senhor Santo Cristo. Como recordo os bules de chá que saíam da minha casa em direcção ao Campo Açores e mais tarde ao Campo Marquês Jácome Correia, para aquecer os jogadores nos treinos ou nos jogos das reservas. Como tenho saudades do George Bradford. Ele tinha uma carrinha Volkswagen, pintada de azul claro e nela dava boleia ao meu pai e a mim, após os jogos disputados no Campo Marquez Jácome Correia. Como recordo neste momento, a mania que ele tinha de apertar o meu nariz entre os dedos indicadores e médio. E como eu, menino, ficava tão orgulhoso.

CONCLUSÃO

Muito mais poderia ser aqui dito sobre os 75 anos do Clube União Micaelense. A documentação é vasta e não faltaria vontade se não fosse maçar, por exaustivas recordações, todos quantos me ouvem neste momento. Em suma, é dado historicamente assente que o nosso Clube atravessou grandes períodos de glória. Congregando esforços e acções de diversa ordem, quase todos generosos, no dizer do saudoso Dr. Carlos Arruda, as suas ilustres direcções incentivaram, por tal forma as actividades desportivas e não desportivas, que deles nasceu uma torrente de pessoas de vultos distintos, nos seus quadros directivos e associativos. Desenvolveram e impulsionaram as actividades instrutivas e recreativas. Criaram e fomentaram o aparecimento de desportos até então desconhecidos ou mal conhecidos na nossa terra. Foi assim que se desenvolveram desportos de salão, como o voleibol e o basquetebol. Criou-se e incentivou-se ainda o pushbol e o balão militar. Procedeu-se à prática do atletismo, afora outras actividades desportivas, tendo sido orientada sob coordenadas novas e proveitosas para os seus praticantes, acto até então desconhecido na cidade de Ponta Delgada. Delineou-se o desporto em moldes modernos e intuitivos, considerados de feição revolucionária para a época. Muitos anos se passaram desde então…

Mesmo com as dificuldades do presente, o Clube União Micaelense continua a ser um conceito de vida. Não é apenas um Clube. Tendo em atenção tudo o que já foi dito, e recordando os excepcionais serviços prestados à comunidade maicaelense, nos campos da instrução cívica, da animação social e cultural, do desenvolvimento e prática do desporto, do prestígio micaelense que ultrapassou os horizontes sempre iguais que nos querem limitar, o Clube União Micaelense bem merece ser condecorado pelos seus 75 anos ao serviço de causas nobres. Seria uma justa recompensa e uma sentida homenagem a todos quantos prestigiaram a sua terra. Assim o entendam e o queiram os poderes constituídos legítima e democraticamente. Aqui fica, pois a nossa humilde sugestão.

Nesta hora de comemorações, onde a dinâmica direcção actual se prepara  para erguer da terra, pedra a pedra, o que irá constituir uma verdadeira homenagem ao Clube, ao nosso Clube, que é o seu complexo desportivo, julgo ser de toda a justiça, guardarmos um sentido minuto de silêncio em memória de quantos contribuíram para o prestigio do Clube União Micaelense, ao longo de 75 anos: fundadores, directores, sócios, atletas e simpatizantes.

Todos de pé, por favor

(…)

Neste recolhimento sentido e saudoso, elevemos o nosso espírito até junto desta plêiade de gente ilustre já desaparecida e murmuremos com a alma a vibrar do entusiasmo das vitórias:

Valeu a pena!

Valeu mesmo a pena!

(…)

Muito obrigado

Jorge do Nascimento Cabral

 

 

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